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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A IMPORTÂNCIA DA AUTO-ANÁLISE

Por A. W. Tozer

Pouca coisa revela tão bem o medo e a incerteza dos homens quanto o esforço que fazem para ocultar seu verdadeiro "eu" uns dos outros e até mesmo a seus próprios olhos.

Quase todos os homens vivem desde a infância até a morte por trás de uma cortina semi-opaca, saindo dela apenas rapidamente quando forçados por algum choque emocional e depois voltando o mais depressa possível ao esconderijo. O resultado desta dissimula¬ção constante é que as pessoas raramente conhecem seus próximos como realmente são e. pior ainda, o disfarce tem tanto êxito que elas nem sequer conhecem a si mesmas.

O autoconhecimento tem tal importância em nossa busca de Deus e de sua justiça, que nos encontramos sob a obrigação de fazer imediatamente aquilo que for necessário para remover o disfarce e permitir que nosso "eu" real seja conhecido. Uma das supremas tragédias em religião é o fato de nos termos em tão alta conta, enquanto a evidência aponta justamente o contrário; e nossa auto-admiração bloqueia eficazmente qualquer esforço possível para descobrir uma cura para a nossa condição. Só o indivíduo que sabe que está doente é que procura o médico.

Nosso verdadeiro estado moral e espiritual só pode ser revelado pelo Espírito e pela Palavra. A Deus pertence o juízo final do cora¬ção. Existe um sentido em que não ousamos julgar-nos uns aos outros (Mt 7:1-5) e no qual não devemos sequer tentar julgar-nos (1 Co 4:3). O julgamento final pertence Àquele cujos olhos são chama de fogo e que vê através das obras e pensamentos dos homens. Agrada-me deixar com Ele a última palavra.

Existe, porém, lugar para a auto-análise e uma necessidade real de que esta seja feita (1 Co 11:31, 32). Embora nossa autodescoberta não seja provavelmente completa e nossa auto-analise contenha ele¬mentos preconceituosos e imperfeitos, existem porém boas razões para que trabalhemos ao lado do Espírito em seu esforço positivo para situar-nos espiritualmente, a fim de podermos fazer as correções exigi¬das pelas circunstâncias. É certo que Deus já nos conhece totalmente (SI 139:1-6). Resta-nos agora conhecer a nós mesmos o melhor pos¬sível. Por esta razão ofereço algumas regras para a autodescoberta; e se os resultados não forem tudo que possamos desejar, podem ser pelo menos melhores do que nada. Podemos ser conhecidos pelo seguinte:

1. O que mais desejamos. Basta ficarmos quietos, aguardando que a excitação dentro em nós se acalme, e a seguir prestar cuidadosa atenção ao tímido clamor do desejo. Pergunte ao seu coração: o que você mais desejaria ter no mundo? Rejeite a resposta convencional. Insista em obter a verdadeira, e quando a tiver ouvido saberá o tipo de pessoa que é.

2. O que mais pensamos. As necessidades da vida nos induzem a pensar em muitas coisas, mas o teste real é descobrir sobre o que pensamos voluntariamente. Nossos pensamentos irão com toda proba¬bilidade agrupar-se ao redor do tesouro secreto do coração, e qual for ele revelará o que somos. "Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração."

3. Como usamos nosso dinheiro. Devemos ignorar de novo aque¬les assuntos sobre os quais não exercemos pleno controle. Devemos pagar impostos e prover as necessidades da vida para nós e nossa família, quando a temos. Isso não passa de rotina e diz pouco a nosso respeito. Mas o dinheiro que sobrar para ser usado no que nos agrada irá contar-nos sem dúvida muita coisa sobre nós.

4. O que fazemos com as nossas horas de lazer. Grande parte de nosso tempo é usado pelas exigências da vida civilizada, mas sempre temos algum tempo livre. O que fazemos com ele é vital. A maioria das pessoas gasta esse tempo vendo televisão, ouvindo o rádio, lendo os produtos baratos da imprensa ou envolvendo-se em conversas frívolas. O que eu faço com o meu tempo revela a espécie de homem que sou.

5. A companhia de que gostamos. Existe uma lei de atração moral que chama o homem para participar da sociedade que mais se assemelha a ele. O lugar para onde vamos quando temos liberdade para ir aonde quisermos é um índice quase-infalível de nosso caráter.

6. Quem e o que admiramos. Suspeito desde há muito tempo que a grande maioria dos cristãos evangélicos, embora mantidos mais ou menos em linha pela pressão da opinião do grupo, sentem de todo modo uma admiração ilimitada, embora secreta, pelo mundo. Podemos conhecer o verdadeiro estado de nossas mentes, exami¬nando nossas admirações não-expressas. Israel admirou e até inve¬jou com freqüência as nações pagãs ao seu redor, esquecendo-se assim da adoção e da glória, das leis, das alianças e das promessas e dos pais. Em vez de culpar Israel, façamos uma auto-análise.

7. Sobre o que podemos rir. Pessoa alguma que tenha qualquer consideração pela sabedoria de Deus iria argumentar que exista algo errado com o riso, desde que o humor é um componente legítimo de nossa natureza complexa. Quando nos falta o senso de humor, falha¬mos também nessa mesma proporção em equiparar-nos à humani¬dade sadia.

Mas o teste que fazemos aqui não é sobre o fato de rirmos ou não, mas do que rimos. Algumas coisas ficam fora do campo do simples humor. Nenhum cristão reverente, por exemplo, acha a morte engraçada, nem o nascimento, nem o amor. Nenhum indivíduo cheio do Espírito pode rir das Escrituras, da igreja comprada por Cristo com o seu próprio sangue, da oração, da retidão, do sofrimento ou dor da humanidade. E certamente ninguém que já esteve na presença de Deus jamais poderia rir de uma história que envolvesse a divindade.

Esses são alguns dos testes. O cristão sábio encontrará outros.

Extraído de "O Melhor de A. W. Tozer"

"O processo de descobrimento e conhecimento de Deus, é o mais genuíno processo de auto-descobrimento do ser humano."

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A ABSOLUTA IMPORTÂNCIA DO MOTIVO

Por A.W. Tozer em “A Raiz dos Justos”

A prova pela qual toda conduta será finalmente julgada é o motivo.

Como a água não pode subir mais alto do que o nível da sua fonte, assim a qualidade moral de um ato nunca pode ir mais alto do que o motivo que o inspira. Por esta razão, nenhum ato procedente de um mau motivo pode ser bom, ainda que algum bem possa parecer provir dele. Toda ação praticada por ira ou despeito, por exemplo, ver-se-á afinal que foi praticada pelo inimigo e contra o reino de Deus.

Infelizmente, a natureza da atividade religiosa é tal que muita coisa dela pode ser levada a efeito por razões não boas, como a raiva, a inveja, a ambição, a vaidade e a avareza. Toda atividade desse jaez é essencialmente má e como tal será avaliada no julgamento.

Nesta questão de motivos, como em muitas outras coisas, os fariseus dão-nos claros exemplos. Eles continuam sendo os mais tristes fracassos religiosos do mundo, não por causa de erro doutrinário, nem porque fossem pessoas de vida abertamente dissoluta. Todo o problema deles estava na qualidade dos seus motivos religiosos. Oravam, mas para serem ouvidos pelos homens, e deste modo o seu motivoarruinava as suas orações e as tornava não somente inúteis, mas realmente más. Contribuíam generosamente para o serviço do templo, mas às vezes o faziam para escapar do seu dever para com os seus pais, e isto era um mal, um pecado. Eles condenavam o pecado e se levantavam contra ele quando o viam nos outros, mas o faziam por sua justiça própria e por sua dureza de coração. Assim era com quase tudo o que faziam. Suas atividades eram cercadas de uma aparência de santidade, e essas mesmas atividades, se realizadas por motivos puros, seriam boas e louváveis. Toda a fraqueza dos fariseus jazia na qualidade dos seus motivos.

Que isso não é uma coisa pequena infere-se do fato de que aqueles religiosos formais e ortodoxos continuaram em sua cegueira até que finalmente crucificaram o Senhor da glória sem um pingo de noção da gravidade do seu crime.

Atos religiosos praticados por motivos vis são duplamente maus - maus em si mesmos e maus porque praticados em nome de Deus. Isso é equivalente a pecar em nome dAquele Ser que é sem pecado, a mentir em nome dAquele que não pode mentir, e a odiar em nome dAquele cuja natureza é amor.

Os cristãos, especialmente os muito ativos, freqüentemente devem tomar tempo para sondar as suas almas para certificar-se dos seus motivos. Muito solo é cantado para exibição; muito sermão é pregado para mostrar talento; muita igreja é fundada como uma bofetada nalguma outra igreja. Mesmo a atividade missionária pode tornarse competitiva, e a conquista de almas pode degenerar, passando a ser uma espécie de plano de vendedor de escovas, para satisfazer a carne. Não se esqueçam, os fariseus eram grandes missionários, e circundavam mar e terra para fazer um converso.

Um bom modo de evitar a armadilha da atividade religiosa vazia é comparecer ante Deus sempre que possível com as nossa Bíblias abertas no capítulo 13 de 1 Coríntios. Esta passagem, conquanto considerada como uma das mais belas da Bíblia, é também uma das mais severas das que se acham nas Escrituras Sagradas. O apóstolo toma o serviço religioso mais elevado e o consigna à futilidade, a menos que seja motivado pelo amor. Sem amor, profetas, mestres, oradores, filantropos e mártires são despedidos sem recompensas.

Para resumir, podemos dizer simplesmente que, à vista de Deus, somos julgados, não tanto pelo que fazemos como por nossas razões para fazê-lo. Não o que mas por que será a pergunta importante quando nós cristãos comparecermos no tribunal para prestarmos contas dos atos praticados enquanto no corpo.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A FÉ SEM EXPECTATIVA ESTÁ MORTA


Por A. W. Tozer


Expectativa e fé, embora semelhantes, não são a mesma coisa. Um cristão instruído não confundirá as duas.

A fé verdadeira jamais estará sozinha; ela sempre estará acompanhada pela expectativa. O homem que crê nas promessas de Deus espera vê-las cumpridas. Onde não existe expectativa, não existe fé.

Contudo, é bem possível existir a expectativa sem que exista a fé. A mente é perfeitamente capaz de confundir um forte desejo com a fé. Na verdade a fé, da forma em que é comumente entendida, não passa de um desejo combinado com um agradável otimismo. Alguns escritores conquistam bons lucros promovendo essa pretensa fé que se supõe criar um pensamento "positivo", em oposição à atitude mental negativa. Os seus ensinamentos são muito bem recebidos pelo coração daqueles afligidos por uma compulsão psicológica para crer, e que lidam com os fatos pelo simples expediente de não levá-los em conta.

A fé verdadeira não é formada do mesmo material de que são feitos os sonhos; antes ela é consistente, prática e totalmente realista. A fé vê o invisível, mas ela não vê aquilo que não existe. A fé ocupa-se com Deus, a grande Realidade, que deu e dá existência a todas as coisas. As promessas de Deus estão de acordo com a realidade, e qualquer que confia nelas entra num mundo real, e não fictício.

Na experiência normal, chegamos à verdade por meio da observação. Tudo o que se pode verificar por meio de experimentos é aceito como verdade. Os homens crêem nas informações dos seus sentidos. Se a ave caminha como um pato, parece um pato e emite sons como de um pato, então provavelmente é um pato. E se dos ovos que choca saem pequenos patos, praticamente se conclui o teste. A probabilidade dá lugar à certeza; essa ave é mesmo um pato. Essa é uma forma válida para lidar com nosso ambiente natural. Ninguém ousaria reclamar desse método, já que todos agem assim. É o jeito que lidamos com este mundo.

Mas a fé introduz um outro elemento em nossa vida, radicalmente diferente. "Pela fé entendemos" é a palavra que alça nosso conhecimento a um nível superior. A fé se ocupa com fatos que foram revelados do céu e que, por sua natureza, não reagem a testes científicos. O cristão conhece como verdade alguma coisa não porque a verificou por meio de alguma experiência, mas porque Deus a declarou. As suas expectativas nascem da sua confiança no caráter de Deus.

A expectativa sempre esteve presente na igreja nos tempos em que ela mais manifestou poder. Quando ela creu, ela esperou, e o seu Senhor jamais a desapontou. "Bem-aventurada a que creu, porque serão cumpridas as palavras que lhe foram ditas da parte do Senhor" (Lucas 1.45).

Todo grande mover de Deus na história, cada avanço incomum na igreja, cada reavivamento, foi precedido por um senso de forte antecipação. A expectativa sempre acompanhou as operações do Espírito. As Suas intervenções dificilmente surpreenderam o Seu povo, porque eles aguardavam com expectativa o Senhor ressurrecto e aguardavam confiantemente o cumprimento da Sua Palavra. As Suas bênçãos seguiam as suas expectativas.

Uma característica que é sintomática nas igrejas normais de hoje é a ausência de expectativa. Os cristãos, quando se reúnem, não esperam que aconteça nada fora do comum; em consequência, só acontece o costumeiro, e esse costumeiro é tão previsível como o pôr-do-sol. Uma mentalidade de não-expectativa impregna a reunião, uma quieta disposição de tédio que o ministro de várias formas tenta dissipar, meios esses que variam conforme o nível cultural da congregação e particularmente do próprio ministro.

Um recorre ao humor, outro apela para um assunto do momento que divide a opinião pública, como o uso de flúor na água, pena de morte ou a prática de esportes aos domingos. Outro, que talvez duvide de suas habilidades como humorista e que não esteja tão seguro quanto a que lado da controvérsia deve defender, tentará gerar expectativa no povo tratando de alguma programação futura: o churrasco dos homens, na próxima terça-feira; ou o piquenique e o jogo entre casados e solteiros, cujo resultado o alegre ministro modestamente se recusa a prever; ou o anúncio do lançamento de um novo filme religioso, cheio de sexo, violência e falsa filosofia, mas adoçado com insípida moralidade e frouxas sugestões de que a extasiada platéia precisaria nascer de novo.

Dessa forma, as atividades dos santos são estabelecidas por aqueles que se presume saberem melhor aquilo de que eles precisam. E esse procedimento, esse joguinho se torna aceitável até pelos mais piedosos, pela estratégia de adicionar no final algumas palavras de dedicação religiosa. Isso é chamado de "comunhão", embora se pareça pouquíssimo com as atividades dos cristãos de antigamente, a quem se aplicou primeiro a Palavra.

A expectativa do cristão, na igreja normal, segue o programa, não as promessas. As condições espirituais do momento, embora pobres, são aceitas como inevitáveis. O que vai acontecer é o que sempre aconteceu. Os cansados escravos da estúpida rotina julgam impossível esperar alguma coisa melhor.

Precisamos hoje de um novo espírito de antecipação que venha das promessas de Deus. Temos de declarar guerra à disposição de não-expectativa e temos de adotar uma fé infantil. Somente então poderemos outra vez experimentar a beleza e a maravilha da presença de Deus entre nós.

Extraído do livro “God Tells the Man Who Cares”, capítulo 32.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

AS MELHORES COISAS DEMANDAM ESFORÇO


Por A. W. Tozer

Em nosso torcido mundo, as mais importantes coisas muitas vezes são as mais difíceis de aprender; e inversamente, as coisas que vêm fácil são na maioria das vezes de pouco valor real no longo prazo.

Isso se vê claramente na vida cristã, onde muitas vezes acontece que aquilo que aprendemos a fazer sem dificuldade são as mais superficiais e menos importantes atividades, e os verdadeiramente vitais exercícios tendem a ser omitidos devido à dificuldade de pô-los em prática.

Isto é mais facilmente visto em nossas variadas formas de trabalho cristão, particularmente no ministério. Ali as mais difíceis atividades são as que produzem maior fruto, e os menos frutíferos serviços se desempenham com menor esforço. Esta é uma armadilha em que não cairá o ministro sábio, ou se ele perceber que nela está preso, importunará céu e terra em sua determinada luta para escapar dela.

Orar com sucesso é a primeira lição que o pregador tem de aprender se quiser pregar frutiferamente; embora a oração seja a mais difícil tarefa para a qual ele é chamado. Como homem será a atividade que será tentado a menos pôr em prática do que qualquer outra. Ele tem de determinar o coração para conquistar pela oração, e isso significa que primeiro tem de comquistar sua própria carne, porque é a carne que sempre atrapalha a oração.

Quase tudo que diz respeito ao ministério pode ser aprendido com uma média porção de inteligente esforço. Não é difícil pregar, ou gerenciar atividades da igreja ou atender compromissos sociais; casamentos e funerais podem ser dirigidos sem problemas com um pouco de ajuda de um Manual do Ministro. Pode-se aprender a fazer sermões tão facilmente como fazer sapatos – introdução, conclusão e só. E assim é com todo o trabalho do ministério como se tem levado na igreja normal de hoje.

Mas orar – isso é outro assunto. Aqui de nada serve a ajuda de um Manual do Ministro. Aqui o solitário homem de Deus tem de combater sozinho, às vezes com jejuns e lágrimas e fadigas indizíveis. Ali cada homem tem de ser original, porque a verdadeira oração não pode ser imitada nem pode ser aprendida de outrem. Cada um tem de orar como se só ele pudesse orar, e sua aproximação tem de ser individual e independente; independente de todos, menos do Espírito Santo.

Thomas à Kempis diz que o homem de Deus deve sentir-se mais à vontade em seu quarto de oração do que diante do público. Não é exagero dizer que o pregador que gosta de estar diante do público dificilmente se encontra espiritualmente preparado para estar diante dele. É mais provável que a correta oração torne o homem hesitante em aparecer diante de uma audiência. O homem que realmente se sente à vontade na presença de Deus se verá preso numa espécie de contradição interior. Ele provavelmente sentirá de forma tão aguda sua responsabilidade que preferiria fazer qualquer outra coisa a encarar um auditório; e contudo a pressão sobre seu espírito pode ser tão grande que nem cavalos selvagens o poderiam arrancar do seu púlpito.

Nenhum homem deveria se colocar diante de uma audiência sem antes ter estado diante de Deus. Muitas horas de comunhão deveriam preceder uma hora no púlpito. O quarto de oração deveria ser mais familiar que a plataforma pública. A oração deveria ser contínua;a pregação, intermitente.

É de notar que as escolas ensinam tudo sobre a pregação, exceto a parte importante, a oração. Não se deve censurar as escolas por causa dessa fraqueza, pela razão que a oração não se pode ensinar; ela somente pode ser praticada. O melhor que qualquer escola ou qualquer livro (ou qualquer artigo) pode fazer é recomendar a oração e exortar a que seja praticada. A oração mesma tem de ser trabalho do indivíduo. E é justamente o trabalho religioso que, feito com pouco entusiasmo, se torna uma das grandes tragédias dos nossos dias.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O USO APROPRIADO DA BÍBLIA



Por A. W. Tozer

Gabar-se de que a Bíblia é o livro mais vendido do mundo fica sem sentido quando se entende o caráter e o propósito da Bíblia.

O que conta não é o número de Bíblias vendidas, nem mesmo quantas pessoas a lêem; o que importa é quantos de fato crêem naquilo que estão lendo e se rendem em fé para viver pela verdade. Menos que isso, e a Bíblia não tem nenhum valor real a qualquer de nós.

Muito se diz, e corretamente, sobre a superioridade da Bíblia como literatura. São tão belas as palavras de profeta e salmista, como também as de nosso Senhor e de Seus apóstolos, que dificilmente podem ser feitas menos que belas, até mesmo pelo pior tradutor. Qualquer palavra de louvor à beleza da Versão Autorizada (aquela que usualmente se escolhe para ler “como literatura”) seria enfeitar artificialmente o que já é belo ou acender uma vela ao sol, por isso paro aqui mesmo. Mas estudar as Escrituras unicamente por sua beleza literária é perder completamente o propósito para o qual foram escritas.

A Bíblia surgiu pela emergência moral ocasionada pela queda do homem. Ela é a voz de Deus chamando para casa o homem que está no deserto do pecado, ela é um mapa que orienta os pródigos que estão voltando; ela é instrução em justiça, luz nas trevas, informação sobre Deus e o homem e a vida e a morte e o céu e o inferno. Nela Deus adverte, ordena, repreende, promete, encoraja. Nela Deus oferece salvação e vida através do Seu Filho Eterno. E o destino de cada um depende da resposta que dá à voz da Palavra.

Pelo fato de a Bíblia ser a espécie de livro que ela é, não é possível aproximar-se dela sem envolver-se, com o simples objetivo de avaliá-la. “Ó terra, terra, terra! Ouve a palavra do Senhor!” A Palavra de Deus não é para ser apreciada como alguém poderia apreciar uma sinfonia de Beethoven ou um poema de
Wordsworth. Ela demanda imediata ação, fé, submissão, execução. Até que isso seja assegurado, ela não fez nada benéfico para o leitor, mas apenas aumentou a responsabilidade dele e aprofundou o julgamento que há de vir.

Não há como descobrir com segurança quantas Bíblias, dos milhões comprados nos últimos anos, têm sido lidas. Mas há uma forma segura de descobrir quantos leitores estão obedecendo ao que lêem. O total compromisso ao seu ensino por parte de algumas centenas de pessoas, em qualquer parte do mundo, operaria uma revolução moral que afetaria para o bem toda e qualquer faceta da vida moderna. Uma vez que nenhuma revolução dessa espécie tem ocorrido, só podemos concluir que o Best Seller não está sendo lido, ou pelo menos não está recebendo a obediência devida.

Em tempos de desastre como num terremoto ou numa enchente, as informações de primeiros-socorros e as instruções das autoridades médicas muitas vezes são questão de vida ou morte. O que pensaríamos de um homem, se o encontrássemos lendo esse
material apenas por sua beleza literária? Ele poderia sentir arrepios estéticos com
a resumida e concisa linguagem, e ainda morrer de febre tifóide, porque a vida dele depende não de admirar as palavras das instruções oficiais, mas da sua obediência a elas.

Por mais ridícula que uma conduta dessas possa parecer, contudo algo semelhante é praticado constantemente numa esfera onde as conseqüências são infinitamente mais
severas. Homens que têm apenas um momento para se preparar para o mundo eterno lêem o único livro que pode lhes dizer como fazê-lo – não para aprender como se preparar, mas só para apreciar a beleza literária do livro. Somente a cegueira do coração provocada pelo pecado pode fazer com que os homens procedam assim.

Em anos recentes, a Bíblia tem sido recomendada para muitos outros propósitos diferentes do único para o qual ela foi escrita. Os movimentos de paz mental, por exemplo, manejam de tal forma a encontrar nela óleo para as atribuladas águas da alma, mas para fazer isso funcionar eles têm, literalmente, de selecionar, escolher, compreender mal e usar de modo errado à vontade. Contudo a Bíblia, quando lida honesta e responsavelmente, produz paz mental, mas somente depois de primeiro conduzir o coração a um arrependimento que freqüentemente é qualquer coisa menos tranqüilo. Quando a vida inteira é transformada moralmente e o coração purificado do pecado, então aquele que busca pode conhecer verdadeira e legítima paz. Qualquer manipulação das Escrituras para que falem de paz ao homem natural é diabólica e somente conduz à ruína.

Encontrei, certa vez, nas regiões montanhosas do sul dos Estados Unidos, algumas pessoas que usavam certas passagens obscuras de Ezequiel como encantamento para estancar sangue após algum acidente. A Bíblia também tem sido usada como livro-texto
de vendedores, e alguns de nós se recordam que, durante a depressão de 1930, alguns líderes confusos sugeriram que seria útil adotar as estratégias econômicas de José no Egito para ajudar-nos a sair do buraco.

Alguns anos atrás, era bastante comum mestres de Bíblia alegar que encontravam nas Escrituras confirmação de praticamente cada nova descoberta feita pela ciência. Aparentemente, ninguém se dava conta de que o cientista tinha de encontrá-la antes que o mestre de Bíblia pudesse fazê-lo, e parece que nunca ocorreu a ninguém perguntar por quê, se isso estava ali na Bíblia de forma tão simples, demorou alguns milhares de anos e demandou a ajuda da ciência para que alguém pudesse vê-lo.

Ora, eu creio que tudo o que está na Bíblia é verdade, mas procurar fazer dela o livro-texto da ciência é compreendê-la mal de forma completa e tragicamente. O propósito da Bíblia é trazer homens a Cristo, torná-los santos e prepará-los para o céu. Nisso ela é única entre os livros, e ela sempre cumpre o seu propósito quando é lida com fé e obediência.

SÉRIE CINCO VOTOS PARA OBTER PODER ESPIRITUAL - PARTE 2



Por A. W. Tozer

Segundo Voto: Não Seja Dono de Coisa Alguma


Com isso, não quero dizer que não possamos possuir coisas. Quero dizer que devemos ser libertos do senso de possuí-las. Esse senso de posse é o que nos embaraça. Todos os bebês nascem com as mãozinhas fechadas, e isso me parece dizer: "Isto é meu!" Uma das primeiras coisas que eles dizem é "meu", com voz irada. Esse senso de "isto é meu!" é muito prejudicial para o espírito. Se puder livrar-se disso, para que não tenha mais o sentido de posse sobre qualquer coisa, você sentirá grande liberdade em sua vida.

Não pense com isso que você precisa vender tudo quanto possui e distribuir como caridade. Não, Deus permitirá que você tenha seu carro e seus negócios, sua profissão e sua posição, qualquer que ela seja, contanto que entenda que isso não é seu, em absoluto, mas Dele, e que tudo quanto está fazendo é apenas trabalhando para Ele. Então, poderá estar tranqüilo em relação a tudo isso, pois nunca precisamos nos preocupar por perder o que pertence a outra pessoa. Se essas coisas forem suas, você estará sempre olhando para as mãos para ver se ainda estão ali, mas se forem de Deus, já não precisa se preocupar com elas.

Permita-me apontar-lhe algumas das coisas que você tem de entregar a Deus. Suas posses são uma dessas coisas. Alguns dos queridos filhos do Senhor estão sendo mantidos para trás porque existe uma bola e uma corrente presas em suas pernas. Se for um homem, pode ser seu luxuoso carro ou a suntuosa casa. Se for uma mulher, talvez sejam suas louças de porcelana ou seus móveis estilo. Luiz XV, e tudo o mais. Vamos considerar um precioso vaso como exemplo. Ali está ele, e se alguém batesse nele e o quebrasse, seu pobre dono provavelmente perderia cinco anos de sua vida!

Terceiro Voto: Nunca se Defenda

Todos nós nascemos com o desejo de defender-nos. E caso insista em defender a si mesmo, Deus permitirá que você o faça. Porém, se você entregar sua defesa a Deus, então Ele o defenderá. Ele disse a Moisés certa vez: "Serei inimigo dos teus inimigos e adversário dos teus adversários" (Ex 23.22).

Muito tempo atrás, o Senhor e eu chegamos juntos ao capítulo 23 do livro de Êxodo, e Ele me mostrou essa passagem. Já faz trinta anos que ela tem sido uma fonte de bênçãos indizíveis para mim. Não tenho de lutar. O Senhor é Quem luta por mim. E Ele certamente fará o mesmo por você. Ele será o Inimigo dos seus inimigos e Adversário de seus adversários, e você nunca mais precisará defender a si mesmo. O que defendemos? Bem, defendemos nosso serviço e, particularmente, defendemos nossa reputação. Sua reputação é o que os outros pensam que você é, e se surgir alguma história sobre você, a grande tentação é tentar correr para acabar com ela. No entanto, como você bem sabe, tentar chegar até a fonte de uma história assim é uma tarefa inútil. Absolutamente inútil! E como tentar achar o passarinho depois de ter encontrado uma pena no gramado. Você não poderá fazer isso. Porém, se se voltar completamente ao Senhor, Ele o defenderá completamente e providenciará para que ninguém lhe cause dano. "Toda arma forjada contra ti não prosperará", diz o Senhor, "toda língua que ousar contra ti em juízo, tu a condenarás" (Is 54.17).

Henry Suso foi um grande crente em dias passados. Um dia, ele estava buscando o que alguns crentes têm-me dito que também estão buscando: conhecer melhor a Deus. Vamos colocar isso nestes termos: você está procurando ter um despertamento religioso no íntimo de seu espírito que o leve para as coisas profundas de Deus. Bem, quando Henry Suso estava buscando a Deus, pessoas começaram a contar histórias más sobre ele, e isso o entristeceu tanto que ele chorou lágrimas amargas e sentiu grande mágoa no coração.

Então, um dia, ele estava olhando pela janela e viu um cão brincando no terraço. O animal tinha um trapo que jogava por cima de si, e tornava a alcançá-lo apanhando-o com os dentes, e corria e jogava, e corria e jogava muitas vezes. Então Deus disse a Henry Suso: "Aquele trapo é sua reputação, e estou deixando que os cães do pecado rasguem sua reputação em pedaços e a lancem por terra para seu próprio bem. Um dia desses, as coisas mudarão". E as coisas mudaram. Não demorou muito tempo até que os indivíduos que estavam atacando a reputação de Suso ficassem confundidos, e ele foi elevado a um lugar que o transformou numa autoridade em seus dias e numa grande bênção até hoje para aqueles que cantam seus hinos e lêem suas obras.

Quarto Voto:
Nunca Passe Adiante Algo que
Prejudique Alguém

"O amor cobre multidão de pecados" (1 Pe 4.8). O fofoqueiro não tem lugar no favor de Deus. Se você sabe alguma coisa que possa vir a obstruir ou ferir a reputação de um dos filhos de Deus, enterre-a para sempre. Busque um pequeno jardim, atrás da casa - um lugarzinho em alguma parte - e, quando alguém se aproximar de você com alguma história de maledicência, leve-a até ali e irmão". Deus tomará conta daquela história. "Com o critério com que julgardes, sereis julgados" (Mt 7.2). Se quer que Deus seja bondoso com você, terá também de ser bondoso com Seus outros filhos. Você dirá: "Mas isso não é a graça!?". Bem, a graça é que fez você entrar no reino de Deus. E um favor imerecido. Porém, depois de você assentar-se à mesa do Pai, Ele espera poder ensiná-lo como se portar à mesa. E Ele não lhe permitirá comer enquanto você não obedecer à etiqueta de Sua mesa. E que etiqueta é essa? E que não conte histórias sobre os irmãos que estão assentados à mesa com você - não importando onde congregam, a nacionalidade ou acontecimentos do passado.

Quinto Voto: Nunca Aceite Qualquer Glória

Deus é zeloso de Sua glória e não a dará a ninguém. Ele não irá nem mesmo compartilhar Sua glória com quem quer que seja. É muito natural, diria eu, que as pessoas esperem que talvez seu serviço cristão lhes dê uma oportunidade de demonstrar seus talentos. Verdadeiramente querem servir ao Senhor, mas também querem que os demais saibam que estão servindo ao Senhor. Elas querem ter reputação entre os santos. Este é um terreno muito perigoso: buscar reputação entre os santos. Já é ruim o bastante procurar reputação no mundo, mas é pior procurar reputação entre o povo de Deus. Nosso Senhor desistiu de Sua reputação, e devemos fazer isso também.

Meister Eckhart certa ocasião pregou um sermão sobre a purificação que Cristo fez no templo. Disse ele: "Ora, nada havia de errado com aqueles homens que vendiam e compravam ali. Nada havia de errado em trocar dinheiro ali; aquilo tinha de ser feito. O pecado deles se resumia no fato de fazerem isso para ter lucro. Eles ganhavam certa porcentagem ao servirem ao Senhor". E então Eckhart fez a aplicação: "Quem quer que sirva por uma comissão, por um pouquinho de glória que possa tirar desse serviço, é um comerciante, e deve ser expulso do templo".

Concordo plenamente com isso. Se você está servindo ao Senhor e, quase sem perceber - talvez inconscientemente mesmo -, espera obter uma pequena comissão de cinco por cento, cuidado! Isso irá espantar o poder de Deus de seu espírito. Você precisa determinar que nunca irá aceitar qualquer glória, mas cuidar para que Deus a receba toda.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

SÉRIE: CINCO VOTOS PARA OBTER PODER ESPIRITUAL - PARTE 1

















Por: A. W. Tozer

Afirmações para o Reavivamento Pessoal


Algumas pessoas rejeitam a idéia de fazer votos, mas na Bíblia você encontrará muitos grandes homens de Deus que foram dirigidos por alianças, promessas, votos e compromissos. O salmista não era avesso a fazer votos. "Os votos que fiz, eu os manterei, ó Deus", disse ele. "Render-te-ei ações de graça" (Sl 56.12).

Meu conselho nessa questão é que se você está realmente preocupado com seu avanço espiritual - a obtenção de novo poder, nova vida, nova alegria e novo reavivamento pessoal dentro de seu coração -, será bom fazer certos votos e empenhar-se por cumpri-los. Se você falhar, prostre-se em humilhação, arrependa-se e comece novamente, mas sempre leve em consideração os votos feitos. Eles irão ajudar a harmonizar seu coração com os vastos poderes que fluem do trono onde Cristo está assentado, à destra de Deus.

O homem carnal rejeita a disciplina de tais compromissos. Ele diz: "Quero ser livre. Não quero ter qualquer voto sobre mim. Não creio nisso. Isso é legalismo". Bem, deixe-me apresentar o quadro de dois homens.

Um deles não fez voto algum. Ele não aceita qualquer responsabilidade desse tipo. Ele quer ser livre. E ele é livre, em certa medida - assim como um vagabundo é livre. O vagabundo é livre para sentar-se num banco de jardim de dia, dormir sobre um jornal à noite, ser posto para fora da cidade na manhã de quinta-feira e voltar e subir pelas escadas rangentes de alguma pensão na quinta à noite. Esse homem é livre, mas também é inútil. Ele apenas ocupa um lugar no mundo, cujo ar respira. Examinemos agora outro homem - talvez um presidente, ou primeiro-ministro ou qualquer grande homem que carrega sobre si o peso do governo. Homens assim não são livres. Porém, com o sacrifício de sua liberdade demonstram poder. Caso insistam em ser livres, poderão sê-lo, mas apenas como o vagabundo. Escolheram, porém, estar amarrados.

Há muitos vagabundos religiosos no mundo que não querem estar amarrados a coisa alguma. Eles transformaram a graça de Deus em libertinagem pessoal. As grandes almas, entretanto, são aquelas que se aproximam reverentemente de Deus compreendendo que em sua carne não habita bem algum. E sabem que, sem a capacitação dada por Deus, quaisquer votos feitos seriam quebrados antes de o sol se pôr. Não obstante, visto que crêem em Deus, com reverência assumem certos votos sagrados. Esse é o caminho para o poder espiritual. Sendo assim, há cinco votos que tenho em mente, que será bom fazer e observar.

Primeiro Voto: Trate Seriamente com o Pecado

O pecado tem sido disfarçado nestes dias, aparecendo com novos nomes e caras. Você pode estar sendo exposto a esse fenômeno na escola. O pecado é chamado por diversos nomes enfeitados - qualquer nome, menos pelo que ele realmente é. Por exemplo, os homens já não ficam mais sob convicção de pecados; eles têm um complexo de culpa. Em lugar de confessar suas culpas a Deus, para se livrarem delas, deitam-se num divã e tentam relatar o que sentem a um homem que deve conhecer melhor tudo sobre eles. Após algum tempo, a resposta dada é que eles foram profundamente desapontados quando tinham dois anos, ou alguma coisa semelhante. Supõe-se que isso os fará sentirem-se melhor. Tudo isso é ridículo, porque o pecado é ainda o mesmo antigo inimigo da alma. Ele nunca foi alterado. Precisamos tratar firmemente com o pecado em nossa vida. Lembremo-nos sempre disso. "O reino de Deus não é comida nem bebida", disse o apóstolo Paulo, "mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo" (Rm 14.17). A justiça repousa à porta do reino de Deus. "A alma que pecar, essa morrerá" (Ez 18. 4, 20).

Não estou pregando a perfeição sem pecado. Antes, quero dizer que todo pecado conhecido deve ser nomeado, identificado e repudiado, e que devemos confiar em Deus para nos libertar dele, para que não exista qualquer pecado consciente, deliberado em qualquer parte de nossa vida. E absolutamente necessário que façamos isso, porque Deus é um Deus santo, e o pecado está no trono do mundo. Portanto, não chame seus pecados por algum outro nome. Se você é invejoso, chame-o de inveja. Se você tem a tendência à autocomiseração e a sentir que não é apreciado, mas é como uma flor que nasce para morrer despercebida, a desgastar sua doçura no ar do deserto, chame esse pecado pelo que ele é: autopiedade. Também há o ressentimento. Se você está ressentido, admita-o. Tenho conhecido pessoas que vivem num estado de indignação furiosa a maior parte do tempo. Conheço um pregador que age como uma galinha lançada fora do ninho: ele fica correndo em todas as direções queixando-se e murmurando - alguém está sempre o fazendo errar. Ora, caso você tenha esse mesmo "espírito", tem de tratar com ele imediatamente. Você precisa livrarse disso. O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo o pecado. Em lugar de tentar disfarçar o pecado ou procurar uma tradução grega opcional em algum lugar sob a qual ocultá-lo, chame-o por seu nome correto e livre-se dele pela graça de Deus.

Há também o mau humor. Não o chame de indignação. Não tente chamá-lo de algum outro nome. Chame-o pelo que ele é. Porque, se você tem mau humor, ou você se desfaz dele ou ele desfará muito de sua espiritualidade e alegria. Por conseguinte, tratemos do pecado com seriedade. Sejamos perfeitamente cândidos. Deus ama pessoas cândidas.