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domingo, 28 de novembro de 2010

SÉRIE: A ADORAÇÃO ESPIRITUAL - PARTE 2

Por Calvin Gardner


Mas a adoração corporal deve ser espiritual para ser aceito do Deus que é Espírito. Portanto ela deve ser limitada aquilo que é reverente, solene, respeitoso e dirigida pela inteligência. Somente dessa maneira pode a adoração correta ser um culto racional e espiritual. A expressão corporal deve ser uma reflexão do homem novo que deleita-se na lei de Deus (Romanos 7.22).

Nenhuma carnalidade, sensualidade, ou movimento sugestivo da carne, é reflexão daquele homem novo que deleita-se na lei de Deus (I Pedro 3.3,4; Efésios 4.22,24 “novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade”; Tiago 3.13-18, “Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria. Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. Porque onde há inveja e espírito faccioso aí há perturbação e toda a obra perversa. Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia. Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz.”). Portanto, a adoração verdadeira usa o corpo mas nunca a carne.

Cristo é o nosso exemplo e Ele adorou mais corretamente o Seu Pai. Ele adorou Deus corporalmente; Ele orou em voz alta, ajoelhou-Se, ergueu Seus olhos ao céu juntamente com Seu espírito quando Ele louvou o Seu Pai pela misericórdia recebida, ou rogou para que Seus discípulos fossem abençoados (João 11.41; 17.1,11). Os homens santos de Deus têm usado os seus corpos em expressões de adoração espiritual: Abraão se prostrou, apóstolo Paulo ajoelhou, estes usaram suas línguas e levantaram suas mãos, mostrando-nos que adoração espiritual necessita expressão corporal. E por Deus ser Espírito e também Santo essas expressões corporais devem espelhar o homem novo regenerado adorando reverentemente.

É verdade que o corpo deve ser usado, segundo o entendimento, na adoração espiritual e entendemos isso pelo fato que Jesus instituiu o Seu tipo de igreja e estabeleceu ordenanças nela que só podem ser observadas empregando o corpo. Deus pede a nossa presença corporal no ajuntamento (Hebreus 11.25; Salmos 122.1). As ordenanças, tanto de batismo, quanto a ceia, pedem a participação do nosso corpo na adoração (Mateus 28.19; I Coríntios 11.23-27).

As duas ordenanças manifestem publicamente Cristo e a Sua redenção completa e vitoriosa. Mas, nem por isso, devemo-nos a ser entregues à gritaria ou à expressão corporal espontânea e sem controle (Efésios 4.31, “Toda a amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmia e toda a malícia sejam tiradas dentre vós”; I Coríntios 14.40). Somente pelo fato que o corpo participa na adoração verdadeira não indica que ela deve ser menos espiritual, mas as ações do corpo também devem expressar reverência e santidade (Habacuque 2.20 “Mas o SENHOR está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra.”).

A adoração não deve deixar de ser um “culto racional”, ou quer dizer com entendimento quando há o uso do corpo nela. É sábio notar que as expressões corporais são somente expressões, e não se substituta a própria adoração. Orações compridas, cânticos talentosos, ou qualquer outra expressão corporal, são nada sem o amor interior a Deus (I Coríntios 13.1-3). Deus quer para Ele mesmo o nosso coração. As cerimônias religiosas foram instituídas como servos da nossa adoração espiritual, não para ser a própria adoração. Um homem que se mostra religioso mas sem aquela adoração com o espírito é igual a igreja de Sardes que “tens nome de que vives, e estás morto.” (Apocalipse 3.1). A adoração usa o corpo para se expressar, mas mesmo assim é necessário que examinemos que ela não deixa de ser espiritual (Lucas 11.39-44).

Por causa do perigo da carne misturar-se na adoração corporal devemos examinar-nos concernente a nossa maneira de adoração. Estamos nos últimos dias e o apóstolo Paulo nos diz: terão muitos nestes dias que tem “aparência de piedade, mas negando a eficácia dela” (II Timóteo 3.1,5). Portanto, devemos nos examinar se não é assim conosco. Para ajudar nessa examinação particular considera essas indagações: A nossa diligência é o exterior ou o interior? Os nossos sacrifícios ao Senhor são sacrifícios vivos e santos, ou sacrifícios das obras mortas da carne? Está lembrado que qualquer carnalidade na adoração não só faz a adoração ser inaceitável, mas abominável a Deus (Apocalipse 3.16; Salmos 66.18)?

Para ter adoração espiritual lembre-se: vigilância contínua é necessária (Mateus 26.41). Um andar espiritual de dia impedirá a contaminação com a concupiscência na adoração noturna. Lembre-se também é necessário nutrir um amor para com Deus que leva-nos a depender nEle (Provérbios 16.3; Salmos 37.4). Para cultivar uma adoração espiritual, nutri pensamentos corretas da majestade de Deus na sua mente. Praticando esses conselhos fará que adoremos o Senhor em espírito “e em verdade” (João 4.24; Filipenses 4.8). Também para auxiliar a adoração espiritual pública devemos cultivar uma comunhão particular com o Senhor (Jeremias 15.16). Para medir a veracidade da nossa adoração somente devemos notar se somos mais maduros espiritualmente depois do exercício dela.

O fruto de adoração espiritual é visto numa obediência maior da Palavra de Deus (Mateus 7.24-27) e num amor aperfeiçoado para com Deus e para com os homens (João 13.35). O homem novo pelo conhecimento de Deus foi renovado (Colossenses 3.10)? A comunhão que você experimentou na adoração foi uma comunhão com Deus ou um inter-relacionamento com seu próprio ego? Foi algo que se edificou ou somente si entreteve?

Que Deus nos abençoa com aquele entendimento da Palavra de Deus que nos leva à adoração verdadeira expressada tanto espiritualmente quanto corporalmente segundo a verdade. Assim Cristo será exaltado e o povo de Deus edificado.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

SÉRIE: A ADORAÇÃO ESPIRITUAL - PARTE 1

Por Calvin Gardner

Salmos 150.6, “Tudo quanto tem fôlego louve ao SENHOR. Louvai ao SENHOR”.

Tudo que tem fôlego deve louvar o SENHOR. Porém toda e qualquer adoração deve ser espiritual pois Deus é Espírito. A adoração espiritual não é uma adoração sem entendimento mas uma que usa o conhecimento da excelência de Deus como motivo do seu louvor. Reconhecendo Deus como soberano e regozijando na glória dos Seus atributos manifestos no Redentor é adoração espiritual e são ações do espírito do homem regenerado. É assim que o Salmista nos instrui: “Pois Deus é o Rei de toda a terra, cantai louvores com inteligência.” (Salmos 47.7; I Coríntios 14.12-20).

A adoração sem entendimento, ou inteligência, não é culto racional, algo que Deus pede (Romanos 12.1,2). Tentativas de adorar o Senhor somente com as sensações são ações de um bruto. Louvor que usa a razão é adoração de um homem para com seu Deus. Adoração espiritual é louvor que corresponde com a natureza nova de um homem regenerado (Romanos 8.5 “os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito.”).Portanto, regeneração deve preceder qualquer possibilidade de adoração espiritual e verdadeira. Importa a Deus que os que “adoram adorem em espírito e em verdade” (João 4.24). Não procure a adorar a Deus se não for regenerado. Procure Cristo! Ele é O Salvador do pecador arrependido e que crê nEle para asalvação. Por intermédio dEle o pecado tenha o novo homem.

Como temos percebido nos estudos anteriores, adoração espiritual só pode ser uma atividade do homem interior que nasce do espírito de Deus (João 3.3,5,7). O cristão precisa do auxílio do Espírito Santo de Deus para adorar corretamente. Não podemos mortificar a concupiscência sem o auxílio do Espírito (Romanos 8.13), e tampouco a nossa adoração é espiritual sem o Seu auxílio (Romanos 8.6 “mas a inclinação do Espírito é vida e paz”; 8.26 “o mesmo Espírito intercede por nós”; Efésios 6.18 “Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito”; Judas 20 “Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo”). Não podemos clamar “Abba, Pai” sem o Espírito Santo nos impelindo a tal adoração espiritual.

A adoração espiritual também deve ser com sinceridade. Quando Paulo diz “Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito”, ele não estava se referindo ao auxílio do Espírito Santo impelindo ele a servir Deus. Ele está expressando que ele serve o Senhor Deus com um coração reverente e sincero (Romanos 1.9). Deus merece o nosso coração. Podemos dar a nossa língua, lábios, ou as nossas mãos, sem o nosso coração, mas o coração não pode ser exercitado em adoração verdadeira sem a atividade da nossa língua, lábios, e as nossas mãos santas (I Timóteo 2.8; Provérbios 23.26). As duas pequenas moedas da viúva foram mais valiosas do que as ofertas volumosas dos ricos por serem de um coração sincero em adoração espiritual e verdadeira (Marcos 12.41- 44). Portanto a adoração espiritual envolve a sinceridade com o que temos, seja financeira, ou seja física.

A adoração corporal não é rejeitada por Deus na adoração espiritual. Mesmo que a adoração espiritual é o mais importante e prazerosa a Deus, não devemos omitir o que foi menos exigido, ou seja, o uso do corpo na adoração (Mateus 23.23; Lucas 11.42). A lei cerimonial tinha a intenção do espiritual, assim o nosso espiritual pode ter a ação do corpo. Mas a adoração só pode ser verdadeira se o corpo que adora adore com um espírito santo. Um corpo moralmente sujo indica um coração pecaminoso. Tal adoração é rejeitada. O culto racional consiste tanto numa mente renovada quanto num corpo santo apresentado a Deus (Romanos 12.1,2; I Timóteo 2.8).

Os nossos corpos devem ser sacrifícios vivos. Na adoração espiritual os nossos corpos não devem ser mortos mas mortificados ao pecado (Romanos 8.13). Um sacrifício vivo se manifesta pela vivência da nova natureza, numa postura santa com as afeições crucificadas à tudo que é da carne ou do mundo. Como a divindade de Cristo foi manifesta pelas Suas ações, assim também a nossa espiritualidade deve ser manifesta nas nossas ações de adoração. “Dar a Deus louvor pelo corpo e não da alma é hipocrisia; dar a Deus culto em espírito e não com o corpo é sacrilégio; não dar louvor com o corpo nem com o espírito é ateísmo.” - Charnock.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

SÉRIE: O CRISTÃO QUE INTERCEDE - PARTE 1


Por Kenneth Hagin

Intercedendo por uma nação

Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade. Porque isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade. — 1 Timóteo 2.1-4

Iniciando nosso estudo sobre oração de intercessão, note a expressão antes de tudo no texto acima. As coisas funcionam quando seguimos as instruções; portanto, vamos interpretar a Bíblia literalmente e fazer exatamente o que ela diz. Vezes demais dizemos que cremos na oração e ficamos somente nisso. Se você disser que crê que pode dirigir um carro, isso não implica que realmente vá guiálo. Você poderia aprender muito lendo um livro sobre como dirigir; entretanto, existem certas coisas que você nunca saberia a menos que entrasse num carro e se dispusesse realmente a fazê-lo. Aprende-se pela experiência.

No versículo de abertura deste capítulo, Paulo disse: Admoesto-te pois, antes de tudo... Vamos colocar as primeiras coisas em primeiro lugar. Geralmente deixamos as coisas secundárias prevalecerem e negligenciamos aquilo que deve vir primeiro. Em nossa vida espiritual, culpamos a Deus por nossos fracassos. Ficamos nos perguntando por que certas coisas não dão certo, quando, na verdade, não estamos colocando as prioridades em primeiro lugar. Geralmente, as pessoas colocam-se em primeiro lugar, mesmo quando se trata de oração. Muitas das suas orações não são respondidas porque você está colocando a si próprio em primeiro lugar.

Muitas vezes agimos como o fazendeiro que orava assim: “Senhor, abençoa-me, minha esposa, meu filho João e sua esposa - nós quatro e mais ninguém”. Podemos não usar exatamente essas palavras, mas na maioria das vezes esse é o formato da nossa oração. Paulo disse no nosso texto que antes de orarmos por nós mesmos ou por nossa família, devemos orar pelos reis e por todos os que estão em posição de autoridade. Isso quer dizer que devemos orar pelo nosso governo - pelos líderes e pelas autoridades, tanto em nível nacional como local. Talvez alguns de nós estejamos realmente fazendo isso, mas não muitos. Se os cristãos estivessem orando pelas autoridades do governo, talvez as coisas pudessem estar bem diferentes em nosso país.

Paulo escreveu sob a unção do Espírito Santo, o que significa que as palavras dessa carta a Timóteo são palavras de Deus. O Senhor não iria nos dizer para orar por algo que Ele não nos dará. Nenhum pai diria ao filho que iria lhe comprar um presente de aniversário se não estivesse disposto a fazer isso. Certamente nosso Pai Celestial não é menos fiel em cumprir Suas promessas do que um pai humano. Deus não é homem para mentir. Ele fará o que disser que vai fazer - quando nos submetermos às Suas condições. Assim, na maioria das vezes existem condições relacionadas à oração.

Admoesto-te pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis.. . (vs. 1,2). Na época em que Paulo escreveu isso, muitas nações eram governadas por reis. O equivalente atual nos países modernos é o Presidente da República. Depois, Paulo disse: .Por todos os que estão em eminência (v. 2). Isso quer dizer todos os nossos líderes — deputados, senadores, governadores, prefeitos -todos que estão em posição de autoridade. Isso inclui até mesmo os policiais.

É muito fácil criticar. Ouço pessoas criticando e sei que não estão orando pelos líderes; quando oramos por outros, não temos tanta disposição para criticar. Como cristãos, entretanto, não devemos colocar os políticos antes de Cristo. Algumas pessoas estão tãoenvolvidas na política que não se desenvolvemespiritualmente.

Uma vez, por exemplo, alguns líderes políticos estavam sendo processados criminalmente. No final, realmente foram considerados culpados e mandados para a prisão. Eu ouvi alguns cristãos dizendo que na próxima eleição iriam votar naqueles mesmos candidatos. Não tinha importância se tinham roubado algum dinheiro público. Os cristãos iam votar neles porque os políticos eram do partido ao qual eles eram filiados e eles achavam que é preciso ser fiel ao seu partido. Não fazia muita diferença para eles quem eram os candidatos. Felizmente, aqueles políticos não foram eleitos.

Existem cristãos que quando oram por um político que não pertence ao partido deles, pedem apenas para que ele seja derrotado. Se o político for eleito, oram para que não tenha sucesso no cargo que for ocupar. Essa é uma oração egoísta, do tipo que não será respondida. O Senhor tem colocado no meu coração que temos de orar especialmente por nosso país, pois muitas coisas podem ser mudadas por meio da oração. Deus não nos manda fazer algo apenas para colocar mais palavras na Bíblia ou para preencher alguma lacuna. Ele tem um propósito em mente. Em nosso texto, podemos aprender sobre o propósito da oração pelas autoridades.

Paulo disse que devemos orar pelos líderes, para que nós, que somos cristãos, tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda piedade e honestidade (v. 2). Deus se preocupa conosco e se moverá, ainda que aqueles que estão no poder possam não ser cristãos. Ele responderá nossa oração e fará coisas em nosso favor para que tenhamos uma vida quieta e sossegada.

Note agora o propósito final da nossa oração pela nação: Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador (v. 3). Se nós, como cristãos, queremos agradar a Deus, o que vamos colocar como pedido número um em nossa lista de oração? Eu mesmo? Meus filhos? Meus netos? Minha igreja? Não. Vamos fazer exatamente o que Deus nos mandou fazer: orar em primeiro lugar por todos aqueles que estão em posição de autoridade.

Note o que diz o versículo número quatro: Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade. O propósito supremo de Deus em nos ordenar que oremos pelas autoridades é que tenhamos liberdade para propagar o Evangelho. Se não tivermos um bom governo, que promova a paz e o sossego, teremos obstáculos para pregar o Evangelho. Em tempos de turbulência política, somos impedidos de pregar sobre Jesus Cristo. Em tempos de guerra, somos impedidos de pregar o Evangelho, devido às restrições na locomoção e a outras dificuldades.

Deus quer que o Evangelho seja anunciado. Ele quer a verdade sendo pregada. Quando esteve aqui na terra, Jesus disse: E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim (Mt 24.14). O diabo fará tudo para evitar que isso aconteça.

Pastores que viajam bastante por outros países pela obra do Evangelho me informaram que, embora outros países estejam fazendo algum trabalho missionário, os EUA são quase o único país que tem levado o Evangelho para outras nações. Isso nos faz compreender por que o diabo se opõe ao nosso país, pois assim pode interromper esse fluxo de verdade que se espalha por todo o mundo. Podemos ver também por que Deus quer que oremos pelas autoridades: para que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade.


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

SÉRIE CINCO VOTOS PARA OBTER PODER ESPIRITUAL - PARTE 2



Por A. W. Tozer

Segundo Voto: Não Seja Dono de Coisa Alguma


Com isso, não quero dizer que não possamos possuir coisas. Quero dizer que devemos ser libertos do senso de possuí-las. Esse senso de posse é o que nos embaraça. Todos os bebês nascem com as mãozinhas fechadas, e isso me parece dizer: "Isto é meu!" Uma das primeiras coisas que eles dizem é "meu", com voz irada. Esse senso de "isto é meu!" é muito prejudicial para o espírito. Se puder livrar-se disso, para que não tenha mais o sentido de posse sobre qualquer coisa, você sentirá grande liberdade em sua vida.

Não pense com isso que você precisa vender tudo quanto possui e distribuir como caridade. Não, Deus permitirá que você tenha seu carro e seus negócios, sua profissão e sua posição, qualquer que ela seja, contanto que entenda que isso não é seu, em absoluto, mas Dele, e que tudo quanto está fazendo é apenas trabalhando para Ele. Então, poderá estar tranqüilo em relação a tudo isso, pois nunca precisamos nos preocupar por perder o que pertence a outra pessoa. Se essas coisas forem suas, você estará sempre olhando para as mãos para ver se ainda estão ali, mas se forem de Deus, já não precisa se preocupar com elas.

Permita-me apontar-lhe algumas das coisas que você tem de entregar a Deus. Suas posses são uma dessas coisas. Alguns dos queridos filhos do Senhor estão sendo mantidos para trás porque existe uma bola e uma corrente presas em suas pernas. Se for um homem, pode ser seu luxuoso carro ou a suntuosa casa. Se for uma mulher, talvez sejam suas louças de porcelana ou seus móveis estilo. Luiz XV, e tudo o mais. Vamos considerar um precioso vaso como exemplo. Ali está ele, e se alguém batesse nele e o quebrasse, seu pobre dono provavelmente perderia cinco anos de sua vida!

Terceiro Voto: Nunca se Defenda

Todos nós nascemos com o desejo de defender-nos. E caso insista em defender a si mesmo, Deus permitirá que você o faça. Porém, se você entregar sua defesa a Deus, então Ele o defenderá. Ele disse a Moisés certa vez: "Serei inimigo dos teus inimigos e adversário dos teus adversários" (Ex 23.22).

Muito tempo atrás, o Senhor e eu chegamos juntos ao capítulo 23 do livro de Êxodo, e Ele me mostrou essa passagem. Já faz trinta anos que ela tem sido uma fonte de bênçãos indizíveis para mim. Não tenho de lutar. O Senhor é Quem luta por mim. E Ele certamente fará o mesmo por você. Ele será o Inimigo dos seus inimigos e Adversário de seus adversários, e você nunca mais precisará defender a si mesmo. O que defendemos? Bem, defendemos nosso serviço e, particularmente, defendemos nossa reputação. Sua reputação é o que os outros pensam que você é, e se surgir alguma história sobre você, a grande tentação é tentar correr para acabar com ela. No entanto, como você bem sabe, tentar chegar até a fonte de uma história assim é uma tarefa inútil. Absolutamente inútil! E como tentar achar o passarinho depois de ter encontrado uma pena no gramado. Você não poderá fazer isso. Porém, se se voltar completamente ao Senhor, Ele o defenderá completamente e providenciará para que ninguém lhe cause dano. "Toda arma forjada contra ti não prosperará", diz o Senhor, "toda língua que ousar contra ti em juízo, tu a condenarás" (Is 54.17).

Henry Suso foi um grande crente em dias passados. Um dia, ele estava buscando o que alguns crentes têm-me dito que também estão buscando: conhecer melhor a Deus. Vamos colocar isso nestes termos: você está procurando ter um despertamento religioso no íntimo de seu espírito que o leve para as coisas profundas de Deus. Bem, quando Henry Suso estava buscando a Deus, pessoas começaram a contar histórias más sobre ele, e isso o entristeceu tanto que ele chorou lágrimas amargas e sentiu grande mágoa no coração.

Então, um dia, ele estava olhando pela janela e viu um cão brincando no terraço. O animal tinha um trapo que jogava por cima de si, e tornava a alcançá-lo apanhando-o com os dentes, e corria e jogava, e corria e jogava muitas vezes. Então Deus disse a Henry Suso: "Aquele trapo é sua reputação, e estou deixando que os cães do pecado rasguem sua reputação em pedaços e a lancem por terra para seu próprio bem. Um dia desses, as coisas mudarão". E as coisas mudaram. Não demorou muito tempo até que os indivíduos que estavam atacando a reputação de Suso ficassem confundidos, e ele foi elevado a um lugar que o transformou numa autoridade em seus dias e numa grande bênção até hoje para aqueles que cantam seus hinos e lêem suas obras.

Quarto Voto:
Nunca Passe Adiante Algo que
Prejudique Alguém

"O amor cobre multidão de pecados" (1 Pe 4.8). O fofoqueiro não tem lugar no favor de Deus. Se você sabe alguma coisa que possa vir a obstruir ou ferir a reputação de um dos filhos de Deus, enterre-a para sempre. Busque um pequeno jardim, atrás da casa - um lugarzinho em alguma parte - e, quando alguém se aproximar de você com alguma história de maledicência, leve-a até ali e irmão". Deus tomará conta daquela história. "Com o critério com que julgardes, sereis julgados" (Mt 7.2). Se quer que Deus seja bondoso com você, terá também de ser bondoso com Seus outros filhos. Você dirá: "Mas isso não é a graça!?". Bem, a graça é que fez você entrar no reino de Deus. E um favor imerecido. Porém, depois de você assentar-se à mesa do Pai, Ele espera poder ensiná-lo como se portar à mesa. E Ele não lhe permitirá comer enquanto você não obedecer à etiqueta de Sua mesa. E que etiqueta é essa? E que não conte histórias sobre os irmãos que estão assentados à mesa com você - não importando onde congregam, a nacionalidade ou acontecimentos do passado.

Quinto Voto: Nunca Aceite Qualquer Glória

Deus é zeloso de Sua glória e não a dará a ninguém. Ele não irá nem mesmo compartilhar Sua glória com quem quer que seja. É muito natural, diria eu, que as pessoas esperem que talvez seu serviço cristão lhes dê uma oportunidade de demonstrar seus talentos. Verdadeiramente querem servir ao Senhor, mas também querem que os demais saibam que estão servindo ao Senhor. Elas querem ter reputação entre os santos. Este é um terreno muito perigoso: buscar reputação entre os santos. Já é ruim o bastante procurar reputação no mundo, mas é pior procurar reputação entre o povo de Deus. Nosso Senhor desistiu de Sua reputação, e devemos fazer isso também.

Meister Eckhart certa ocasião pregou um sermão sobre a purificação que Cristo fez no templo. Disse ele: "Ora, nada havia de errado com aqueles homens que vendiam e compravam ali. Nada havia de errado em trocar dinheiro ali; aquilo tinha de ser feito. O pecado deles se resumia no fato de fazerem isso para ter lucro. Eles ganhavam certa porcentagem ao servirem ao Senhor". E então Eckhart fez a aplicação: "Quem quer que sirva por uma comissão, por um pouquinho de glória que possa tirar desse serviço, é um comerciante, e deve ser expulso do templo".

Concordo plenamente com isso. Se você está servindo ao Senhor e, quase sem perceber - talvez inconscientemente mesmo -, espera obter uma pequena comissão de cinco por cento, cuidado! Isso irá espantar o poder de Deus de seu espírito. Você precisa determinar que nunca irá aceitar qualquer glória, mas cuidar para que Deus a receba toda.