terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

VENDO E PROVANDO A GLÓRIA DE DEUS


Por John Piper

"Os céus declaram a glória de Deus" Sl 19:1

"Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo." 2 Co 4:6

O objetivo supremo de Jesus Cristo

O universo criado por Deus é todo envolto em glória. O mais profundo anseio do coração humano e o mais profundo significado do céu e da terra estão resumidos nesta expressão: a glória de Deus. O universo foi feito para proclamar esta glória, e nós fomos feitos para vê-la e prová-la. Nada mais pode ser comparado a isso. E, porque temos trocado a glória de Deus por outras coisas (Rm 1:23), o mundo está tão desordenado e enfermo.

"Os céus declaram a glória de Deus..." (Sl 19:1). É por isso que todo universo existe. Ele é todo glória. A sonda espacial Hubble nos envia imagens intravermelhas de longínquas galáxias, distantes talvez 12 bilhões de anos luz da terra (12 bilhões vezes 9,6 trilhões de quilômetros). Até mesmo dentro da nossa Via-Láctea, existem estrelas grandes demais para serem descritas, como, por exemplo, a Eta Carinae, cujo brilho é 5 milhões de vezes maior do que o Sol.

Às vezes, as pessoas se assustam diante dessa imensidão quando comparada à aparente insignificância do homem. Isso nos torna infinitamente pequenos. Porém, o significado dessa grandeza não diz a respeito de nós. Diz a respeito de Deus. "Os céus declaram a glória de Deus", diz a Bíblia. O motivo para "desperdiçar" um espaço tão grande no Universo para abrigar seres humanos tão ínfimos é um assunto de domínio de nosso Criador, não nosso. "Ergam os olhos e olhem para as alturas. Quem criou tudo isso? Aquele que põe em marcha cada estrela do seu exército celestial, e a todas chama pelo nome. Tão grande é o seu poder e tão imensa a sua força, que nenhuma delas deixa de comparecer!" (Is 40:26).

O anseio mais profundo coração humano é conhecer e apreciar a glória de Deus. Fomos feitos com essa finalidade. Diz o Senhor Deus: "... De longe tragam os meus filhos, e dos confins da terra as minhas filhas [...] a quem criei para minha glória..." (Is 43:6,7; grifo do autor). Para vê-la, para prová-la e para proclamá-la - é por isso que existimos. As insondáveis e incalculáveis extensões do Universo criado por Deus não passam de uma alegoria acerca das inesgotáveis "riquezas da sua glória" (Rm 9: 23). O olho físico deve dizer ao olho espiritual: Não a este, mas ao Criador deste é o desejo de tua alma". Paulo disse: "... e nos gloriamos na esperança da glória de Deus" (Rm 5:2). Ou mais precisamente, ele disse que Deus nos "preparou de antemão para a glória" (Rm 9:23). É por isso que fomos criados - para que Deus pudesse "tornar conhecidas as riquezas de sua glória aos vasos de sua misericórdia" (Rm 9:23).

Cada coração humano anseio por isso. Mas nós reprimimos e desprezamos o "conhecimento de Deus" (Rm 1:28). Por conseguinte, toda criação está em desordem. O exemplo mais visível na Bíblia é a desordem de nossa vida sexual. Paulo diz que trocar a glória de Deus por outras coisas é a principal causa da desordem homossexual (e heterossexual) de nossos relacionamentos. "... Até as mulheres trocam suas relações naturais por outras, contrárias à natureza [...] e os homens também abandonaram as relações naturais com as mulheres e se inflamaram de paixão uns pelos outros" (Rm 1: 26,27). Se trocarmos a glória de Deus por coisas banais, Ele nos abandonará a uma vida de depravação - que espelhará, em nossa miséria, a derradeira traição.

A questão principal é esta: Fomos criados para conhecer e valorizar a glória de Deus acima de todas as coisas; e quando trocarmos este tesouro por imagens, tudo ficará em desordem. O sol da glória de Deus foi feito para brilhar no centro do sistema solar da nossa alma. E quando ele brilha, todos os planetas de nossa vida giram corretamente em torno de sua órbita. Mas quando o sol muda de lugar, todas as coisas se desorganizam. A cura da alma começa quando a glória de Deus voltar a ocupar seu lugar no centro, cujo resplendor atrai tudo para si.

Todos nós necessitamos da glória de Deus, não da nossa própria glória. Ninguém vai ao Grand Canyon para aumentar a autoestima. Por que vamos então? Porque quando contemplamos algo maravilhoso, existe uma cura maior para a alma do que quando contemplamos a nós mesmos. Na verdade o que poderia ser mais ridículo neste iemnso e glorioso Universo do que um ser humano, vivendo numa partícula chamada Terra e em pé diante de um espelho tentando encontrar significado em sua imagem ali refletida? Que lástima é saber que este é o evangelho do mundo moderno!

Mas esse não é o evangelho cristão. Em meio às trevas da insignificate autopreocupação brilhou " a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus" (2 Co 4:4 ; grifo do autor). O evangelho cristão diz respeito à "glória de Deus", não à minha glória. E quando, de certa forma, diz respeito a mim, não é porque fui considerado importante por Deus, mas porque por sua misericórdia, Ele me faz sentir feliz por considerá-Lo importante pelo resto de minha vida.

Qual foi a maior demosntração de amor que Jesus deu em relação a nós? Qual foi o ponto culminante, o ponto sublime do evangelho? Redenção? Perdão? Justificação? Reconciliação? Santificação? Adoção? Será que todas essas maravilhas não significam que existe algo maior? Algo final? Algo que Jesus pediu ao Pai que nos concedesse? - "Pai, quero que os que me deste estejam comigo onde eu estou e vejam a minha glória, a glória que me deste..." (Jo 17:24 ; grifo do autor).

O evangelho cristão é o "evangelho da glória de Cristo" porque seu objetivo final é que possamos ver, provar e mostrar a glória de Cristo, que nada mais é do que a glória de Deus. "O filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser..." (Hb 1:3). "Ele é a imagem do Deus invisível..." (Cl 1: 15). Quando a luz do evangelho brilha em nossos corações, ela é a "iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo" (2 Co 4:6). E quando "nos gloriamos na esperança da glória de Deus" (Rm 5: 2), essa esperança é "a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo" (Tt 2:13 ; grifo do autor). A glória de Cristo é a glória de Deus.

Em certo sentido, Cristo afastou-se da glória de Deus quando veio ao mundo: E agora, Pai, glorifica-me junto a ti, com a glória que eu tinha comigo antes que o mundo existisse" (Jo 17: 5 ; grifo do autor). Mas, por outro lado, Cristo manifestou a glória de Deus em sua vinda ao mundo: "Aquele que é a Palavra, tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade" (Jo 1: 14 ; grifo do autor). Por conseguinte, no evangelho, vemos e provamos a "glória de Deus na face de Cristo" (2 Co 4: 6). E essa "visão" é a cura para nossa vida desordenada. "E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior..." (2 Co 3:18 ; grifo do autor).


Uma oração

Pai de glória, este é o clamor do nosso coração: Queremos ser tranformados com glória cada vez maior até que, na ressurreição, no ressoar da última trombeta, estajamos amoldados completamente à imagem do teu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor. Enquanto aguardamos esse momento, desejamos crescer na graça e conhecimento de nosso Senhor, principalmente no conhecimento de sua glória. queremos vê-la tão clara como vemos a luz do Sol, e prová-la até o ponto de desfrutarmos do mais puro prazer. Deus misericordioso, inclina nossos corações para tua Palavra e as maravilahs de tua glória. Afasta-nos de nossos apegos às coisas banais. Abra os olhos de nosso coração para vermos, a cada dia, o que Universo criado por Ti está nos dizendo a respeito de tua glória. Ilumina nossa mente para vermos a glória de teu filho no evangelho. cremos que Tu és o Deus Todo-glorioso, e não existe ninguém que se assemelhe a Ti. Aumenta-nos a fé. Perdoa-nos por não concentrarmos nossa atenção a Ti e pela atenção indevida que damos a coisas menos importantes. Tem misericórdia de nós, por amor de Cristo, e incute em nós o teu grande desígno de mostrarmos a glória de tua graça. Em nome de Jesus, oramos. Amém



Retirado do livro "Um Homem Chamado Jesus Cristo".

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

HUMILDADE E FÉ


Por: Andrew Murray

Leitura: "Como podes crer, recebendo honra uns dos outros, e não buscando a honra que vem só de Deus?" (João 5.44).
Em uma pregação que ouvi recentemente, o palestrante disse que as bênçãos da vida cristã mais elevada eram frequentemente como os objetos expostos em uma vitrina de loja: você poderia vê-los claramente, mas não poderia alcançá-los. Se fosse dito a um homem para estender a mão e pegar, ele responderia: "Não posso; há uma grossa vidraça espelhada entre mim e eles."

Mesmo os cristãos podem ver claramente as abençoadas promessas de paz perfeita e repouso, de amor e alegria transbordantes, de permanente comunhão e frutificação, e ainda sentir que há algo no meio obstruindo a verdadeira posse. E o que seria isso? Nada a não ser o orgulho. As promessas feitas à fé são tão livres e certas, os convites e encorajamentos tão fortes, o maravilhoso poder de Deus com que a fé pode contar está tão perto e acessível que o que impede que a bênção seja nossa só pode ser algo que impede a fé.

No texto bíblico mencionado, Jesus revela para nós que é, de fato, o orgulho que faz a fé impossível. "Como podeis crer, vós os que aceitais glória uns dos outros?" Quando virmos como, em natureza, o orgulho e a fé são irreconciliáveis por sua divergência, aprenderemos que a fé e a humildade são um na raiz, e que nunca podemos ter mais de verdadeira fé do que temos de verdadeira humildade; devemos ver que podemos, na verdade, ter uma forte convicção intelectual e segurança da verdade enquanto o orgulho é mantido no coração, mas que isso faz da fé viva, que tem o poder de Deus, uma impossibilidade.

Precisamos somente pensar por um momento no que é a fé. Não é a confissão do nada-ser e de abandono, não é a entrega e a espera para deixar Deus trabalhar? Não é em si mesma a coisa mais humilhante que pode haver: a aceitação de nossa posição como dependentes, que não podem clamar ou conseguir ou fazer nada a não ser o que a graça concede? A humildade é simplesmente a disposição que prepara a alma para viver em confiança. E tudo, até mesmo o mais secreto sopro de orgulho, na forma de busca de si mesmo, vontade própria, confiança em si mesmo ou auto-exaltação, é apenas o fortalecimento do fato de que o ego não pode entrar no reino nem possuir as coisas do reino, pois se recusa a permitir que Deus seja o que Ele é e tem de ser ali: Tudo em todos.

Fé é o órgão ou sentido para percepção e apreensão do mundo celestial e de suas bênçãos. A fé busca a glória que vem de Deus, que vem apenas de onde Deus é tudo. Enquanto aceitarmos glória uns dos outros, enquanto buscarmos e amarmos sempre e guardarmos zelosamente a glória dessa vida - a honra e reputação que vêm dos homens — não buscamos, e não podemos receber, a glória que vem de Deus. O orgulho faz com que a fé seja impossível. A salvação vem por meio de uma cruz e de um Cristo crucificado. A salvação é a comunhão, no Espírito de Sua cruz, com o Cristo crucificado. A salvação é a união com a humildade de Jesus e o deleite nela, salvação é a participação na humildade de Jesus. E admirável que nossa fé seja tão débil quando o orgulho ainda reina tanto e ainda não tenhamos aprendido que a humildade é a mais necessária e abençoada parte da salvação, nem oramos por isso?

A humildade e a fé estão mais intimamente associadas nas Escrituras do que muitos sabem. Veja isso na vida de Cristo. Há dois casos nos quais Ele falou de uma grande fé. O centurião, de cuja fé Ele se maravilhou dizendo: "Em verdade vos afirmo que nem mesmo em Israel achei fé como esta", não Lhe falou: "Senhor, não sou digno de que entres em minha casa"? E a mãe para quem Ele disse: "Oh, mulher, grande é a tua fé!" não aceitou ser chamada de cachorro e disse: "Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas"? Isso é a humildade que leva uma alma a ser nada diante de Deus, que também remove todo impedimento à fé, e faz com que o único temor seja desonrá-Lo por não confiar Nele integralmente.

Irmão, não temos aqui a causa do fracasso na busca da santidade? Não é isso que faz nossa consagração e nossa fé tão superficiais e de vida tão curta? Não tínhamos idéia de que orgulho e ego extensos ainda estavam trabalhando secretamente dentro de nós, e como somente Deus, por Sua entrada e Seu maravilhoso poder, poderia expulsá-los. Não entendíamos como nada, a não ser a nova e divina natureza tomando inteiramente o lugar do velho ego, poderia fazer-nos realmente humildes. Não sabíamos que a humildade absoluta, incessante, universal tem de ser a raiz-disposição de toda oração e todo acesso a Deus assim como de todo tratamento com o homem, e que podemos ver sem olhos ou viver sem respirar tanto como crer ou aproximar-nos de Deus ou habitar em Seu amor, sem uma humildade todo-permeante e humildade de coração.

Irmão, não cometemos um erro ao encontrar tantos problemas para crer, enquanto todo o tempo havia o velho ego em seu orgulho buscando possuir para si mesmo as bênçãos e riquezas de Deus? Não admira que não pudéssemos crer! Vamos mudar nosso comportamento. Vamos buscar, antes de tudo, hu-milhar-nos sob a poderosa mão de Deus: Ele nos exaltará. A cruz, a morte e a tumba, nas quais Jesus se humilhou, eram Seu caminho para a glória de Deus. E são nosso caminho também. Vamos desejar unicamente e orar fervorosamente por sermos humilhados com Ele e como Ele; vamos aceitar alegremente o que quer que possa nos humilhar diante de Deus e dos homens — esse é o único caminho para a glória de Deus.

Talvez alguém se sinta inclinado a fazer uma pergunta. Falei de alguns que tiveram experiências abençoadas ou que são os instrumentos para levar bênção aos outros e, ainda assim, são carentes de humildade. Alguém pode perguntar se isso não prova que eles têm fé verdadeira, e até forte, apesar de mostrarem tão claramente que ainda buscam muito a honra que vem dos homens. Há mais de uma resposta que pode ser dada. Mas a principal resposta em nosso presente contexto é esta: eles, de fato, têm uma medida de fé, na proporção da qual, com os dons especiais dados a eles, é a bênção que eles trazem para outros. Mas apesar da benção que trazem, a eficácia da fé deles é impedida por causa da ausência de humildade. A bênção é frequentemente superficial ou transitória, apenas porque eles não são o nada que abre o caminho para Deus ser tudo. Uma profunda humildade traz, sem dúvida, uma mais profunda e plena bênção. O Espírito Santo, não apenas trabalhando neles como um Espírito de poder, mas habitando neles na plenitude de Sua graça, especialmente a graça da humildade, iria, através deles, transmitir a Si mesmo a esses convertidos para uma vida de poder e santidade e firmeza, o que é muito pouco visto atualmente.
"Como podeis vós crer, recebendo glória uns dos outros?"

Irmão! Nada pode curar você do desejo de receber glória dos homens, ou da sensibilidade e dor e raiva que vêm quando ela não é dada, a não ser dar a si mesmo para buscar somente a glória que vem de Deus. Deixe que a glória do Deus Todo-Glorioso seja tudo para você. Você será libertado da glória dos homens e do ego, e estará contente e alegre em ser nada. Nesse nada, você crescerá forte na fé, dando glória a Deus, e irá descobrir que quanto mais profundamente mergulhar em humildade diante de Deus, mais perto Ele está para satisfazer todo desejo de sua fé.


Retirado do livro "Humildade - A Beleza da Santidade"